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quarta-feira, 27 de abril de 2011

SINOPSE


Buraco Quente é um uma obra que trata de maneira muito íntima a realidade no submundo das favelas de São Paulo. Em forma de ficção e usando fatos da vida real, propicia ao leitor uma experiência envolvente que é capaz de despertar as mais diversas reações e sentimentos.

A história do personagem central, chamado Waguinho, ilustra a trajetória de muitas crianças, jovens e adolescentes que crescem nas favelas de São Paulo.

A história vai ganhando corpo à medida que o jovem morador da favela Buraco Quente se prepara para agir em um assalto a Bancos.

Tudo começa quando ele acorda em um domingo aparentemente igual a todos os outros e começa a se preparar para a ação, porém à medida que o dia  passa, novas situações vão surgindo fazendo com que ele se lembre de fatos importantes ocorridos em sua vida desde sua infância perdida, de forma a transportá-lo em algumas viagens momentâneas pelo tempo de volta ao passado, onde passa a recordar muitas experiências vividas com seus antigos amigos e parentes em situações curiosas e muitas vezes traumatizantes.

A história de Waguinho se confunde com a vida do autor em muitos momentos, de forma que várias situações protagonizadas por ele constituem fatos que realmente aconteceram na vida de Nilson Natividade. Assim a leitura fica ainda mais interessante, por tratar de situações relatadas por uma pessoa que viveu aqueles acontecimentos, narrando de maneira fiel a experiência de um morador de uma das favelas mais comentadas e violentas de São Paulo na década de 1970.

A história nos apresenta muitas situações envolvendo violência, drogas, bandidagem e outras bem ruins. Contudo, em meio a tudo isso também é possível verificar momentos da luta cotidiana das pessoas de bem que convivem  com esses fatos e mesmo assim não se corrompem, tentando de todas as formas resistir às dificuldades com bom humor e perseverança, mesmo diante do sofrimento que essas situações acabam causando.

Todas as histórias são muito bem costuradas com o tema central e propiciam ao leitor uma leitura dinâmica e magnética de modo a fazer com que ele fique muito interessado no que vai acontecer a cada página.

Um livro que vai proporcionar ao leitor uma visão próxima da realidade, do ponto de vista de quem morou em uma das favelas mais violentas de São Paulo, o Buraco Quente. Leva ao leitor o conhecimento de muitos fatos que ocorrem nesses lugares, possibilitando consequentemente uma análise crítica sob pontos de vista diferentes, permitindo melhor compreensão das suas causas e efeitos dos acontecimentos em um submundo ignorado por muitos, mas que faz parte da realidade de muitas cidades brasileiras.

Este projeto foi realizado com o apoio da Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo – Programa de Ação Cultural – 2008

Nilson Natividade de Oliveira – Nascido em 25 de julho 1969, em Vitória da Conquista – BA, veio para São Paulo aos 3 anos de idade para morar na favela do Buraco Quente, onde viveu até os 18. Casou-se e hoje mora com esposa e os três filhos no Jardim Aracati – Santo Amaro.
Você pode adquirir seu exemplar pelos sites:

Livraria Cultura:
http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha.asp?nitem=2845471&sid=00187140211810487257372360&k5=10B56ED&uid

Livraria Azabeça da Editora Scortecci:
http://www.scortecci.com.br/lermais_materias.php?cd_materias=5531

terça-feira, 26 de abril de 2011

Trecho do livro revela... A INFÂNCIA DE UMA CRIANÇA FAVELADA PERDIDA NOS FAROIS DA VIDA


Aos doze anos, quando pedia trocados em um cruzamento próximo a favela, uma situação mexeu com ele profundamente. O semáforo fechou e alguns carros pararam em respeito ao sinal vermelho. Ele então se aproximou de uma BMW que aguardava o sinal abrir. Os vidros estavam baixados e no banco de trás uma criança, muito provavelmente o filho do motorista, ficou olhando ele pela janela. Coca ficou parado em frente à criança admirando a forma como ela se vestia. Ao ver aquilo, o motorista acionou o botão de controle dos vidros elétricos e antes mesmo que ele conseguisse pedir alguma coisa, o vidro automático do veículo lentamente foi subindo, porém à medida que o vidro subia, a imagem daquela linda criança no interior do automóvel era substituída pelo reflexo de uma criança pobre e mal trapilha, parada diante daquele carro luxuoso que partiu antes mesmo do sinal abrir e sem ao menos deixar-lhe um único centavo.
Coca voltou-se para calçada onde se encontravam outros garotos, sentou-se e ficou tentando decifrar aquele estranho sentimento que tomava conta dele naquele momento. Embora não compreendesse o que havia acontecido, a frustração de ser um garoto pobre havia tomado conta dele e começava ali uma revolta contra o sistema que divide as classes sociais.
       Naquela tarde ele não pediu mais trocados naquele semáforo. Estranhamente sentia-se envergonhado e sem disposição para tal coisa. Após algumas horas resistindo à generosidade de alguns colegas que cheiravam cola no mesmo local e lhe ofereciam a droga com a justificativa que aquilo iria fazê-lo ficar numa boa, ele retornou para a favela com menos dinheiro do que habitualmente conseguia. No pequeno percurso até seu barraco tentava afastar a imagem daquele vidro se fechando e revelando a sua verdadeira realidade. Tentava imaginar outras coisas que não fossem a cena de seu pai chegando bêbado e machucado em casa e de sua mãe desesperada sem ter nada para dar para ele e os seus irmãos comerem.
      Lentamente um sentimento de revolta ia crescendo dentro daquela pobre criança, que se sentia confusa tentando descobrir o que estava acontecendo com ela...

Trecho do livro revela... MOMENTOS DE TENSÃO


A viela estava realmente um breu. Não dava para enxergar um metro adiante. O homem que havia acabado de descer do opala preto estacionado na frente da viela deslocava-se lentamente tomando todo cuidado para não escorregar e cair no meio da lama. De arma na mão e sempre alerta ele se aproximava cada vez mais do barraco na beira do córrego. Agora já dava para ver. Uma única luz iluminava o interior do barraco onde estava o grupo de assaltantes. A porta estava aberta e a silhueta de uma pessoa parecia bloquear a passagem. Ele aproximou-se ainda mais e percebeu que havia mais gente no interior do recinto. Ergueu a arma e tentou aproximar-se um pouco mais. Porém o barulho causado pela suas passadas na lama despertou a atenção de Cobra que disse:
— Parece que tem alguém aí fora mano.
Waguinho estava de costas e virou-se rapidamente, na mesma velocidade em que sacava sua arma. Os demais ocupantes do barraco também já estavam de arma em punho e prontos para revidar qualquer ataque. Vanessa pressionou o interruptor e apagou a luz na tentativa de evitar que quem estivesse do lado de fora conseguisse ver o interior do barraco. Waguinho afastou-se da porta assim que a luz foi apagada. Um grande silêncio se fez até que uma voz de alguém que aproximou-se da porta disse:

— Para aí neguinho! Eu já to vendo ele.
— Onde que ele ta caralho?
— Ta ali.
— Ali onde caramba?
— Embaixo do barraco.
— Já to vendo. Eu vô dar a volta e pegar ele por traz.
— Certo! Vai! Vai!
As vozes estavam bem próximo agora. Era possível perceber até a movimentação de alguns vultos na escuridão. Mas, não dava pra fazer nada a não ser esperar e se proteger do ataque que parecia inevitável a qualquer momento. O facho de luz que saia pela porta do barraco iluminava uma parte da viela, mas não era o suficiente para identificar ou ver alguém nitidamente. Isso só fazia aumentar ainda mais a tenção.
Derrepente as vozes se fizeram ouvir em alto e bom som.
— Parado aí! Não corre se não eu atiro.
— Ai caramba fudeu! Pá! Pá!
— Eu falei pra não correr caralho. Pá! Pá! Pá!
— Acertou ele?
— Acertei, mas ele correu praí.
— Peguei! Peguei! Pá! Pá!



Trecho do livro revela... CRIME, SEXO e LOUCURA


Vanessa era filha de pais ricos e não tinha necessidade de fazer o que mais gostava, Roubar. Isso ela fazia por puro prazer. A adrenalina liberada naqueles momentos era muito boa para ela. E ao final das ações nas quais ela se envolvia sempre fazia sexo com algum dos participantes.....
... Em um dos assaltos nos quais se envolveu, ela ficou tão excitada que quis fazer sexo no momento do roubo com um dos assaltantes. O roubo foi a uma pequena fábrica de perfumes. De posse de documentos falsos ela simulou ser candidata a uma vaga de secretária para ter acesso ao interior da empresa onde rapidamente dominou o guarda da recepção e liberou a entrada do resto do grupo. Após ter prendido todos os funcionários no vestiário e recolhido todo o valor do pagamento do dia seguinte que estava no cofre. Ela dirigiu-se a um de seus companheiros e disse:
— Meu! Eu quero meu pagamento agora.
— Do que ce ta falando? Agente nem contou a grana ainda. — Argumentou o assaltante estranhando o comportamento da mulher que olhava impetuosamente.
— Não é de dinheiro que eu to falando. — Disse ela.
— E do que ce ta falando então?
— Eu quero dar pra você aqui e agora.
— Você ta maluca? Agente ta roubando uma empresa. Daqui a pouco isso aqui vai ta cheio de polícia. Agente não tem tempo pra essas coisas.
— Haaa... Mais eu quero. — Disse ela arrastando-o por um dos braços. — Só um pouquinho. Vai ser rapidinho. Por favor.
— Num dá pra ser em outro lugar, em outra oura?
— Não! Tem que ser aqui e agora. — Disse ela levantando o vestido e debrussando-se sobre uma das mesas do escritório em que estavam.
O pobre rapaz ficou sem saber o que fazer diante daquela situação e disse em voz baixa para si próprio.
— Caralho eu não sou maluco, mas também não sou de ferro. Eu vou comer essa vagabunda agora. Quero que se foda.
Aquelas palavras pareceram excitar ai mais a mulher debruçada sobre a mesa que aguardava anciosa o jovem baixar o zíper da calça e avançar sobre ela.
As pessoas detidas no banheiro ficaram curiosas com o barulho e tentavam imaginar o que estava acontecendo lá fora, enquanto outros dois marginais procuravam objetos de valor em outras dependências da empresa...
... Alguns instantes depois um terceiro assaltante entrou no local onde o casal se deliciava e ao ver o que estava acontecendo falou alto acompanhando de uma longa gargalhada.
— Mas o que ta acontecendo aqui? Vocês tão ficando maluco?
Ao ouvir aquilo o jovem tentou se recompor erguendo o zíper da calça enquanto Vanessa, ainda debruçada sobre a mesa de escritório, aproveitava os últimos momentos de prazer que aquela tranza havia lhe proporcionado.
Ao ouvir o som das sirenes da polícia se aproximando o pequeno grupo apossou-se do Monza estacionado na frente da empresa e ...

Trecho do livro revela... A INFÂNCIA LONGE DA MÃE


Para uma criança de sua idade e moradora de uma favela, não foi muito fácil adaptar-se a dura realidade nas escolas públicas frequentadas por uma maioria de alunos da classe média alta. Os olhares desconfiados, o preconceito e a rejeição pareciam estar em toda parte numa sociedade carregada de discriminação. Sr. Manoel (pai de Waguinho) não sabia como lidar com aquela situação e muitas vezes batia no filho quando ele fugia da escola. O fato de ser filho de pais separados diminuiu bastante a freqüência com que via a mãe e isso aumentava ainda mais a sensação de rejeição sentida por ele, que passava por aquela experiência alheio as forças do destino.
Uma vês ao voltar para casa acompanhado de Marcos, um colega de classe que morava perto da escola, deparou-se com sua mãe aguardando em uma esquina. Uma sensação muito agradável tomou conta de si ao ver Dn Joana o aguardando de braços abertos. Já faziam seis meses que ele não a via. Certamente era um encontro muito aguardado de ambas as partes. Os olhares se cruzaram, antes de se abraçarem, mas durante algum tempo nada foi dito. Algumas lágrimas que escorriam no canto dos olhos pareciam dizer tudo. Mais alguns afagos e finalmente algumas palavras surgiram dos lábios de Waguinho.
- Eu tava com saudade mãe.
- Eu também meu filho. Eu também.
- Por que a senhora demorou a vim me ver? Você não gosta mais de mim?
- Não é nada disso meu filho. Existem algumas coisas que você ainda não é capaz de compreender. Mas a mamãe te ama muito e sempre vai te amar, não importa o quanto demore agente se ver. Tenha sempre isso em seu coração.
- Por que a senhora não volta para casa?
- Um dia nós ainda vamos morar juntos, mas por enquanto isso não é possível.
- E esse dia vai demorar?
­- Não filho. Logo vai chegar. Seja paciente.
Ele sabia que podia confiar. Afinal era sua mãe que estava falando e ela nunca havia mentido para ele...

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Trecho do livro revela... A VIDA NA FAVELA DO BURACO QUENTE


Nascido em Vitória da Conquista, interior da Bahia, na década de 70, Waguinho veio para São Paulo com apenas três anos de idade, acompanhado do pai e mais dois irmão para morar em uma das favelas mais conhecidas e violentas da zona sul, “A Favela do Buraco Quente”.
Um aglomerado de barracos de madeira, as margens do córrego Águas Espraiadas que servia de abrigo e moradia para muitas pessoas, na sua grande maioria, nordestinos em busca de oportunidades na cidade grande, alguns fugindo da seca, outros apenas sonhadores.
Embora localizada em uma região média, a poucos metros do Aeroporto de Conconhas na Capital de São Paulo, a favela era desprovida totalmente de infra-estrutura; ruas de terra batida, esgoto correndo a céu aberto, sem iluminação pública, água somente de uma única fonte que brotava da terra próximo de uma das entradas da favela. Os barracos onde se abrigavam serviam de palco para os mais variados tipos de histórias de luta e sofrimento. Um pequeno barraco com pouco mais de um metro quadrado servia de banheiro comunitário onde os moradores faziam suas necessidades, uma madeira encostada na entrada garantia a privacidade. Tomavam banho na mesma bica onde as lavadeiras cuidavam das roupas da família. Uma lamparina a querosene, garantia a iluminação do barraco e a comida na sua maioria era feita sobre o álcool em uma lata de sardinha ou um pequeno fogão de duas bocas.
Os espaços eram muito disputados e aos poucos surgiam novos barracos contribuindo assim para o avanço da favela.
Outras favelas rodeavam “O Buraco Quente” todas com nomes no mínimo muito curiosos; Buraco do Sapo, Canão, Levanta Sáia, Morro do Piolho, Lacônia, Jardim Editi, Campo da União, Sousa Dantas. Essas eram as mais conhecidas, todas as margens do córrego.
O descampado de um terreno baldio, com dois pontaletes fincados nas extremidades garantia o lazer de crianças e adultos. Mas normalmente o campo não era palco apenas do futebol. Muitos adultos, adolescentes e até mesmo crianças eram vistos com freqüência fumando maconha e cheirando cola naquele local.
Aos três anos de idade, tudo parecia passar despercebido pelas vistas de Waguinho. Apesar da precariedade das condições de sobrevivência, ele não conhecia nada além daquele lugar e nada parecia incomodá-lo. Ao contrário disso convivia pacificamente com os acontecimentos ao seu redor. Manoel, seu pai, era um homem bom, com mais de cinqüenta anos e muito atencioso para com os filhos, porém....

Conheça o autor - CENAS GRAVADAS NA FAVELA DO BURACO QUENTE

Conheça mais sobre a história do escritor de "Buraco Quente - A realidade no submundo das favelas" Acesse os links da entrevista dada no programa "Deus médico dos médicos, exibido na Rede TV".
É a mesma matéria dividida em duas partes.
Faça um comentário e diga o que achou.

http://www.youtube.com/watch?v=kMDwHF9NfeI

http://www.youtube.com/watch?v=sOYMgFK79tM&feature=related

http://www.youtube.com/watch?v=i5Vi2-BJfns&feature=grec_index